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A nossa sociedade no século XX apresentou inúmeros avanços em todos os setores, mas cremos que o mais importante ocorreu no dia 11 de maio de 1960 quando a FDA, agência reguladora de remédios dos EUA, aprovou a primeira pílula anticoncepcional, que transformou de forma drástica os costumes, com implicações nos campos da moral, ética , sociais, políticos, religiosos, onde a liberdade sexual adquire tal proporção até então nunca visto na historia da humanidade.

E nós Espíritas como reagimos diante das mudanças destes últimos 50 anos? Qual a postura dos movimentos espíritas? E nós da Aliança? Como pensamos e sentimos tais temas como as orgias, o sadomasoquismo, a necrofilia, a pedofilia, homossexualidade, aborto e outros? 

Na vivência de entrevistador ou como dirigente de casa espírita como reagimos, ante trabalhadores e médium, que se dizem  homossexuais, ou viesse convidar para seu casamento homo afetivo? E se o discípulo viesse nos trazer a notícia, que ele iria se separar, tornando-se um celibatário para melhor servir a causa Espírita? O servidor que vem pedindo  socorro, pois é pedófilo e não consegue resistir à tentação? Outro, que vem a procura de ajuda, pois só consegue ter relações sexuais prazerosa em cemitério? Enfim, estes são alguns dos dramas reais relacionados com trabalhadores na casa espírita, os quais, nós já vivenciamos na prática como orientador e entrevistador, sem falar dos dramas de assistidos que populam os atendimentos fraternos.

O que fazer? Onde o bom senso? Onde o distúrbio psiquiátrico ou espiritual? Como os espíritos têm tratado tais assuntos?  No livro dos Espíritos na pergunta 200, Kardec questiona os espíritos: - “Os Espíritos têm sexo”? 

– Não como o entendeis, porque os sexos dependem da constituição orgânica. “Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos”. 

O codificador também afirma que a mudança de sexo de uma encarnação para outra é possível, sendo assim abre- nos inúmeras questões para reflexão. 

André Luiz, em Conduta Espírita, nos ensina, que devemos "distinguir no sexo a sede de energias superiores que o Criador concede à criatura para equilibrar-lhe as atividades, sentindo-se no dever de resguardá-la contra os desvios suscetíveis de corrompê-la, portanto, os abusos tais: como as orgias, o sadomasoquismo, a necrofilia, a pedofilia e outros, são práticas que comprometem o equilíbrio, no manuseio das forças genésicas e são contrárias às leis naturais. 

Nós espíritas entendemos perfeitamente , que a sede da sexualidade está no corpo físico e entendemos, que seres equilibrados neste setor (sexualidade) poderão transitar nas múltiplas reencarnações nos dois polos sexuais sem dificuldades, mas, quando isto não ocorre, ou seja , quando nos falta o equilíbrio, que talvez ocorra na maioria dos seres, o que pode acorrer? André Luiz, esclarece no livro “No Mundo Maior”, que os enígmas do sexo não se reduzem a meros fatores fisiológicos, e acrescenta ainda, em “Evolução em Dois Mundos”, que a sede real do sexo não se acha no veículo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa.

Observem que ele fala nos “enigmas do sexo”, e não em sexo ,e enigma  segundo o dicionário Aurélio, significa  “questão proposta em termos obscuros, ambíguos, para ser interpretada ou adivinhada por alguém”. por extensão de sentido, “enunciado ambíguo ou velado”, “coisa inexplicável, aquilo que é difícil compreender; mistério”. Portanto as questões de sexo são de difíceis compreensão. No meio espírita como exemplos tivemos “celibatários” missionários como Eurípedes Barsanulfo e Chico Xavier , bem como, Bezerra Menezes, que teve dois casamentos e nove filhos.

Sabemos que o Pai criou a lei do carma para aprendermos com a dor ; que não devemos fazer ao nosso semelhante o mal ,ou seja , a dor nos ensina o que não devemos fazer ao outro, desta forma, a pessoa que sofreu uma maldade recebe uma lição ao seu espírito eterno do bem a fazer ,mas no caso da pedofilia , segundo a Organização Mundial de Saúde, se as vítimas forem sexo masculino, existe uma probabilidade maior de se tornarem agressores, podendo repetir os mesmos comportamentos a que foram sujeitos. Lembramos, também, que associado a este distúrbio, existe a obsessão espiritual como complicador, conforme narra Filomeno de Miranda no livro Sexo e Obsessão.

No livro, No Mundo Maior ,André Luiz, explica que a criatura lesada em seu equilíbrio sexual costuma entregar-se à rebelião e à loucura em síndromes espirituais de ciúme ou despeito. Daí nascem as psiconeuroses, os colapsos nervosos, as fobias numerosas, os desvios da libido, a neurose obsessiva, as psicoses e as fixações mentais diversas.

Onde o equilíbrio? O que é certo ou errado? Amigos , quantos companheiros sofrem ,por serem diferentes ,mas diferença não é o mal. O mal sim, está no coração daquele que não tem a capacidade de conviver com as diferenças , sejam quais forem. Lembramos que Jesus não disse, que os héteros ou os homos eram seus discípulos, mas sim, que seus discípulos seriam reconhecidos por muito se amarem.

Nos grupos espíritas, para conviver com as questões referentes  à sexualidade  deve ser criada uma relação sócio afetiva, livre de preconceitos e com ampla fraternidade.

Alguns dos possíveis reflexos da ausência de relações afetuosas nos grupos geram maior possibilidade de criação das máscaras emocionais , que escondem uma pseudo-harmonia, criando um ambiente para hipocrisia e  puritanismo ; também a ausência de dialogo franco, como instrumento construtor de amizade sólida, desta forma, os problemas acima relacionados, são deixados à margem .

Nos programas doutrinários de Escolas de Aprendizes do Evangelho , curso de médiuns , reciclagens e outros, devemos trabalhar para a educação do afeto, de modo que devemos conhecer os sentimentos ,adquirir o controle sobre as reações emocionais, saber conviver harmoniosamente com nossos maus sentimentos, exercitar a sensibilidade, expressar o afeto na convivência e entender, que ser diferente  é  normal, desde que esteja respeitando a lei maior a lei do AMOR.

Por fim, lembrando a assertiva de Paulo (Romanos 14:14) “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus , que nenhuma coisa é de si mesma imunda a não ser para aquele que a tem por imunda”. 

Dr. Pedro Francisco dos Santos Neto